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Com ou sem Xuxa Meneghel, a Record nunca mais será a mesma em seus interiores. Os bastidores da negociação da maior contratação da emissora desde Gugu Liberato, em 2009, foi marcada por traição, boicote e briga em uma diretoria que até então era unida.

Walter Zagari, que é vice-presidente comercial da emissora, se opôs à contratação da ex-“rainha dos baixinhos, estremecendo as relações com o vice-presidente artístico e de programação, Marcelo Silva, que vê Xuxa como a maior cartada de sua gestão. Bispo da Igreja Universal, Silva retaliou encampando a ideia de criação de uma nova diretoria de marketing, assim, tirando poder de Zagari. O chefão da área comercial respondeu boicotando o evento de lançamento da programação 2015, realizado na última quinta-feira (05).

Os atritos tiveram início em meados de janeiro. Marcelo Silva estava a caminho de uma reunião com Xuxa, no Rio de Janeiro, quando ouviu de Walter Zagari, por telefone, que tinha apoio do comercial para contratá-la. Porém, no mesmo dia, o vice-presidente comercial da Record revelou a Marcus Vinicius Vieira, vice-presidente executivo, que é o que mais manda dentro do canal, visto que controla o dinheiro, insegurança sobre o poder de vendas de Xuxa. Zagari disse que a loira tem rejeição no mercado, e até sugeriu a contratação de Adriane Galisteu, rival de Xuxa desde os tempos em que as duas disputaram o piloto Ayrton Senna.

Na rede de Edir Macedo desde setembro do ano passado, o superintendente artístico e de programação, Paulo Franco, entrou em campo e acionou o publicitário Roberto Justus, apresentador do reality show “Aprendiz”. Foi aí que Justus mostrou estudos que revelam que Xuxa é viável comercialmente.

A partir daí inciou-se um racha na direção da Record. Magoado com Zagari, o bispo Marcelo Silva passou a defender a ideia de Paulo Franco de criar uma diretoria de marketing subordinada à vice-presidência artística. A proposta afronta Zagari, uma vez que o marketing é controlado por sua área. Hilton Madeira, braço direito de Zagari, é o diretor de marketing.

Pela proposta apresentada por Paulo Franco, o novo diretor de marketing cuidaria da imagem dos programas e artistas do canal. O executivo já tem um nome para o posto: Marcelo Braga, ex-colega de Franco na Fox, atualmente na Endemol.

Walter Zagari sentiu-se traído. Afinal, ele apoiou a contratação de Paulo Franco, que já passou pela emissora – saiu em 2009. No entanto, sua resposta foi imediata. Franco teve que explicar sua relação com a produtora Casablanca, contratada para produzir uma das próximas novelas da Record, “Escrava Mãe”. A Casablanca acompanha o superintendente artístico da Record desde o SBT. Foi a empresa que produziu o 1 contra 100, apresentado por Justus e dirigido por Franco. Enquanto esteve na Fox, entre 2011 e setembro de 2014, a Casablanca produziu vários programas para a programadora.

A rivalidade ficou exposta na última quinta-feira: Walter Zagari, que adora falar com jornalistas, não compareceu ao principal evento da área de programação no ano, no qual Marcelo Silva gostaria de ter apresentado Xuxa. O chefão da área comercial da Record alegou que estava passando mal, e mandou seu braço-direito, Hilton Madeira representá-lo.

Dono da Record e líder da Igreja Universal, o bispo Edir Macedo já foi alertado do racha na alta cúpula da emissora. Douglas Tavolaro, vice-presidente de jornalismo e em ascensão no grupo, assiste a tudo de camarote, enquanto um novo nome forte da igreja, Marcelo Cardoso – que é irmão do genro de Macedo – , chega para assumir, em breve, a presidência da emissora, na tentativa de colocar a Record nos eixos.

As informações são do jornalista Daniel Castro.

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