Não há mundo para todo mundo

Após ter escrito “Planejar Para Educar Hábitos”, um pequeno texto que alerta para os riscos e as desventuras da falta de planejamento das finanças pessoais, frequentemente sou indagado sobre o assunto ali pautado; e a pergunta é sempre a mesma: “Vou deixar de curtir a vida?” Então respondo: Claro que não! Apesar de recorrente o tema é sempre atual, afinal a vida esta repleta de prazeres em sua maioria instintivos que nos arrebata de forma violenta ao seu encontro, nos deixando imóveis diante da tentação de ter, de possuir, de experimentar, de provar, de degustar algo que nos parece único. Diante de tal sentimento prazeroso nos tornamos impotente e nos deixamos levar por tais necessidades que de necessário tinha tão pouco – mas o tratamos como imprescindível – na realidade não passava de um desejo que poderia ser controlado se tivéssemos a capacidade de não torná-lo compulsivo.

Embora para alguns tenha ficado implícito ou no campo da reflexão individual, naquele texto o objetivo foi o de motivar para o aprendizado da educação financeira pessoal, no intuito de que boa parte da gastança seja feita de forma ordenada e de acordo com as reais necessidades onde estão incluso, é claro, o viver a vida de cada um. Induzir e motivar a sentir prazer também no investimento, sendo assim, a outra parte da gastança seria utilizada em poupança, tesouro direto, compra de imóveis ou outro qualquer tipo de investimento que lhe apeteça de forma prazerosa. Incluindo no dia a dia a necessidade da construção de uma pequena reserva de valores que estejam disponíveis ou imobilizados na forma de imóveis ou bens duráveis  que tenham liquidez, em outras palavras, que possam ser trocados por dinheiro quando necessário.

É comum ver indivíduos ou famílias inteiras em desconforto ou em total flagelo em função de não possuir o mínimo financeiramente para suprir pequenas necessidades, tal quadro vem sendo desenvolvido e pintado inconscientemente por eles no passado, ao não vislumbrar que tipo de sorte lhes reserva o futuro. Somos frutos das nossas ações e principalmente das opções que fazemos em função da falta de conhecimento ou discernimento para fatos e coisas que nos parece próxima e fácil de lidar, o dinheiro, por exemplo, é uma realidade complexa que produz no homem a ideia de eterno e a tendência de achar que o prazer individual e imediato é a finalidade da vida. Esses que assim procede com dinheiro ficam a margem e fora da realidade e sem nenhuma capacidade de administra-lo corretamente, surgir aí então os espaços para a desarmonia financeira por não ter planejado, pois para eles planejamento é coisa para empresa.
Façamos o seguinte: se você é avesso à ideia de planejar, por ela não ser objeto da sua mais alta aspiração, então analise friamente porque as coisas andam dando errado no seu orçamento, tendo em vista que o seu salário já não consegue pagar suas contas, muito bem, isto é falta de planejamento. Pra você, é claro, as coisas não dão certo porque ganha pouco, simples assim, mas o que acontece com a maioria é que ao começar a vida profissional todos se planejam para serem bons colaboradores, vestem a camisa da empresa, fazem todos os cursos possíveis dentro de sua área de atuação para se destacar, isto é extremamente louvável, porém não podem esquece que seu rendimento proveniente de tal esforço deve ter um tratamento diferenciado, por ser uma importante catapulta que impulsiona sua plataforma de projetos, agregando valor a sua vida e suprindo todas as suas necessidades financeiras.

Todas as necessidades, você deve entender como aquilo que seu rendimento pode pagar após estabelecer a seguinte formula: meu rendimento é igual ao que ganho, menos os descontos referentes aos impostos, vale refeição, vale transporte, seguro saúde e menos meu investimento em poupança. O que sobrou, é de fato o seu rendimento e a partir daí será estabelecida as despesas necessárias, agindo assim, estabelecendo limites para o que é necessário você estará criando um ambiente bem planejado de futuro prospero, nesta ordem os fatos vão acontecendo naturalmente. Reflita bem, antes de começar a trabalhar, você sempre viveu sem determinadas coisas, agora você tem a oportunidade de tê-las, mas não é ideal obtê-las de uma só vez, estabeleça um cronograma de aquisições que deverá estar no grupo de despesas possíveis de acordo com necessidades reais sem os imperativos sonhos recheados de desejos compulsivos.

Ao determinar a formula para cálculo dos rendimentos líquidos veja que nela estar contido um investimento em poupança, agora vamos fixar um percentual mínimo de 10% (dez por cento) do salário para este investimento. Se o salário é de R$ 1.000,00 (Um mil reais) e sobre ele aplicamos o percentual fixado isto representará R$ 100,00 (cem reais) que automaticamente deverá ser transferido para sua conta de poupança no dia do crédito do salário. Passado doze meses ritualisticamente exercitando sempre a mesma rotina de poupador, terá o investidor a quantia de aproximadamente R$ 1.233,00 (Um mil duzentos e trinta e três reais), a cabo de um ano terá em reserva um valor superior ao seu salário mensal. O fato de ser um investidor não é o essencial, pois o essencial é a vida, porém é fundamental como conquista pessoal e exercício prático da efetiva realização da virtude de poupador.

Para aqueles que já convivem com a ideia da desorganização financeira e acham que não tem jeito, os desafio a estabelecer o dia primeiro do próximo mês para começar a mudança e acompanhar seus gastos, se detiver algum conhecimento em Excel projete uma simples planilha, na coluna “A” coloque os dias de 1 a 31 daquele mês, o qual você começará a monitorar as saídas de dinheiro, valorize tudo, todas as despesas deverão ser relacionadas dia a dia, da mais irrisória a mais significativa nominando-as, se não tiver habilidade com planilhas eletrônicas, compre um caderno risque as colunas e comece a relaciona seus gastos diariamente. Ao final do mês totalize todas as colunas, e para seu espanto você verá que não precisa ter a vida que leva; se achou frívola, irresponsável, leviana e de aparência, não se preocupe todo sintoma é uma manifestação subjetiva de que algo esta errado, portanto precisa ser consertado, pois quando queremos tudo é factível.

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Não existe mundo para todo mundo, estamos diante de um universo escasso, onde é flagrante a falta do mínimo para muitos e talvez o seu descontrole seja apenas uma questão de hábitos em desordem. Estabeleça novos parâmetros, planeje antecipadamente elaborando alternativas e defina um método, organize seus recursos de forma a alcançar seus objetivos, controle suas atitudes e verifique se está no caminho certo, coordene para determinar uma sequencia de prioridades, comande suas próprias ações dirigindo e corrigindo sua rota para atingir suas metas, tenha compromisso com objetivos realizáveis e nunca delegue ao destino suas responsabilidades. Quanto à crise, ela sempre existirá, em alguma ordem ou em algum lugar, pois é parte natural da escassez dos sistemas, planeje e proteja-se dela, lembre-se o que disse São Francisco de Assis: “faça primeiro o que é necessário, depois o que é possível e logo você estará fazendo o impossível”.

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