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(Foto: Reprodução do Filme “Nise – Coração da Loucura”)

Ela foi a primeira mulher de Alagoas a se formar em Medicina e a primeira psiquiatra de sua geração a romper com os padrões desumanos de tratamento de pacientes com esquizofrenia e outras doenças. Na última noite desta terça-feira(6), a história da heroína alagoana da psiquiatria Nise da Silveira, falecida há 16 anos, ganhou as telas do Festival de Cinema do Rio com a estreia do filme “Nise – Coração da Loucura” – dirigido por Roberto Berliner e protagonizado por Glória Pires.

O filme se passa entre 1942 e 1944, período em que Nise chega ao Rio de Janeiro para cuidar da área de terapia ocupacional do Centro Psiquiátrico Nacional Pedro II e se recusa a utilizar tratamentos agressivos (como o eletro-choque e a lobotomia) em pacientes. Ela transforma o setor com novos métodos hoje consagrados como a terapia ocupacional e o uso da arte, além de meios alternativos como o estímulo ao contato com animais domésticos para acalmar seus pacientes. “Ela encontrou o próprio caminho a partir de algo que ainda não tinha sido traçado”, disse Gloria Pires em entrevista ao jornal Folha de São Paulo. A atriz chegou a ter uma crise de choro durante a cena em que um paciente pinta um quadro pela primeira vez – os efeitos artísticos dos pacientes de Nise (telas figurativas, mandalas e esculturas que chegaram a chamar atenção de críticos de arte e até do psiquiatra suiço Carl Jung) estão em destaque no filme. Para o diretor, que esteve com toda a equipe por mais de um mês dentro do próprio hospital psiquiátrico em que Nise trabalhou, a alagoana era uma rebelde. “Enfrentou o sistema porque era radical, porque era desobediente”, diz Berliner.

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