O artista Jonathas de Andrade (1982, Maceió, AL, Brasil) será o representante do Brasil na 59ª edição da Bienal de Arte de Veneza, com a instalação inédita “Com o coração saindo pela boca“. O evento será aberto neste sábado (23) e segue até 27 de novembro. A escolha da instalação teve curadoria de Jacopo Crivelli Visconti, anunciado pela Fundação Bienal de São Paulo como curador da participação nacional brasileira na Bienal.

Em sua instalação, Jonathas se inspira em expressão populares usadas no País como “nó na garganta”, “cara de pau”, “olho do furacão”, “das tripas coração”, “de braços cruzados”, “empurrar com a barriga”, entre dezenas de outras. O conceito trazido pelo artista para o para o Pavilhão do Brasil reflete sobre a formação e as idiossincrasias do povo brasileiro, considerando episódios e processos históricos.

“Existem centenas de expressões populares com partes do corpo para descrever sentimentos e situações. Elas envolvem literalidade e absurdo para dar conta da subjetividade, o que para o momento do Brasil, é muito revelador. Usar essas expressões para falar da perplexidade do corpo brasileiro diante do presente em tantas instâncias – política, social, ecológica – me parece muito potente. As expressões desta coleção compõem bem este panorama emocional nacional, por exemplo ‘entrar por um ouvido e sair pelo outro’ e ‘de partir o coração’”, explica o artista.

“Esta mostra comissionada a Jonathas de Andrade parte de peculiaridades da linguagem brasileira para abordar questões universais, criando imagens com as quais a diversidade de visitantes deste evento internacional poderão se identificar. Com esta exposição, reforçamos nossa missão de fomentar a arte brasileira e levar o que há de mais pulsante da produção artística de nosso país para os diversos cantos do mundo”, explica José Olympio da Veiga Pereira, presidente da Fundação Bienal de São Paulo.

Conheça o artista
Jonathas de Andrade concebeu o projeto a partir do convite de Jacopo Crivelli Visconti (curador também da 34ª Bienal – Faz escuro mas eu canto, realizada em 2020/2021), apontado pela Fundação Bienal como curador da representação brasileira na bienal mais antiga do mundo.

O artista trabalha com suportes variados, como instalação, fotografia e filme, em processos de pesquisa que têm profundo caráter colaborativo. Sua obra discute a falência de utopias, ideais e projetos de mundo, sobretudo no contexto latino-americano, especulando sobre sua modernidade tardia. Em seu trabalho, afetos que oscilam entre a nostalgia, o erotismo e a crítica histórica e política são agenciados para abordar temas como o universo do trabalho e do trabalhador, e a identidade do sujeito contemporâneo.

“Com o coração saindo pela boca
A exposição é composta por impressões fotográficas, esculturas (algumas delas interativas) e um vídeo, e tem entre suas referências as feiras de ciência que o artista conheceu quando criança, em particular a experiência de visitar a boneca Eva (uma gigantesca boneca de 45 metros de fibra e espuma que rodou o país nos anos 1980, na qual o público podia entrar para conhecer o funcionamento do corpo humano).

“O caminho para representar o Brasil, ou talvez apenas aludir a ele, hoje, passa inevitavelmente pelo corpo de quem vive na pele e na carne, cotidianamente, as dificuldades, as violências e as injustiças que se repetem, ano após ano, década após década, século após século. Um corpo literal e repetidamente fragmentado, silenciado, ignorado, despedaçado. Mas essas partes isoladas e objetificadas de corpo também o transcendem, ao introduzir o outro elemento estruturante da exposição: a linguagem”, afirma Crivelli Visconti.

A Bienal
Com curadoria de Cecilia Alemani, a Biennale Arte 2022 retira seu título do livro The Milk of Dreams [O leite dos sonhos] da artista surrealista Leonora Carrington (1917, Reino Unido – 2011, México). Para Alemani, “a artista descreve um mundo mágico em que a vida é constantemente repensada através do prisma da imaginação, e onde todos podem mudar, ser transformados, tornar-se outra coisa e outra pessoa. A exposição nos leva a uma jornada imaginária pelas metamorfoses do corpo e das definições de humanidade.”

Participação brasileira
A prerrogativa da Fundação Bienal de São Paulo na realização da representação oficial do Brasil na 59ª Mostra Internacional de Arte da Bienal de Veneza é fruto de uma parceria com a Secretaria Especial da Cultura, responsável pelo desenvolvimento da política de intercâmbio cultural do país. As participações brasileiras nas Bienais de Arte e Arquitetura de Veneza ocorrem no Pavilhão do Brasil, construído em 1964 a partir de um projeto de Henrique Mindlin e mantido pelo Ministério das Relações Exteriores.

Serviço:

Pavilhão do Brasil na 59ª Exposição Internacional de Arte – La Biennale di Venezia

Comissário: José Olympio da Veiga Pereira, Presidente da Fundação Bienal de São Paulo
Curadoria: Jacopo Crivelli Visconti
Participante: Jonathas de Andrade
Local: Pavilhão do Brasil
Endereço: Giardini Napoleonici di Castello, Padiglione Brasile, 30122, Veneza, Itália
Data: 23 de abril a 27 de novembro de 2022

Fonte: TV Gazeta

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