As águas que descem o Riacho Salgadinho rumo à foz, na Praia da Avenida, em Maceió, ganharão novo destino em breve. O Programa Renasce Salgadinho dará o encaminhamento devido – e simples – para toda a poluição que hoje entristece maceioenses.

“Eu vi o Salgadinho com a água limpa, com famílias curtindo o final de semana na Praia da Avenida. Com o tempo, as coisas acabaram mudando e a poluição tomou conta. Fico muito feliz em saber dessa iniciativa do Município. A melhor alternativa é cuidar do que é nosso e esse projeto vem justamente nesse sentido”, comentou.

De acordo com as informações divulgadas pela assessoria de comunicação, o coordenador do Programa Maceió Tem Pressa, responsável pelo ‘Renasce Salgadinho’, a água suja do Riacho do Salgadinho e dos seus efluentes vão diretamente para o emissário submarino, por meio das estações elevatórias e da linha de recalque, que consiste em tubulações que já estão sendo implantadas ao longo da avenida Assis Chateaubriand.

Marcelo Maia explica que após todo o trajeto, “os efluentes são lançados dentro do mar, cerca de 3,5 km de distância da praia”. A carga orgânica deste esgoto, segundo ele, “não contribui negativamente para a qualidade da água”.

A aposta é que os jardins filtrantes podem ajudar a tornar o Riacho Salgadinho um local de visitação pública, com melhorias da qualidade da água. Estão sendo investidos R$ 76 milhões para dar destinação final adequada às águas servidas e à carga de poluentes que contaminam a Praia da Avenida através de Riacho Salgadinho.

Segundo Marcelo Maia, em linhas gerais, os jardins filtrantes são uma tecnologia de baixo custo e de fácil manutenção que irá contribuir de maneira direta no tratamento inicial do esgoto que chega no Riacho do Reginaldo, por meio do Riacho do Pau D’arco.

“Ao total, serão implantados quatro módulos de jardins filtrantes, além de uma lagoa, que também fará parte da estrutura”, disse o coordenador do programa.

Os quatro jardins filtrantes cada um tem 12 metros de comprimento e 3 metros de largura.

No Vale do Reginaldo, no bairro do Poço, por exemplo, um dos principais pontos de intervenção, mais de 60 operários trabalham diariamente na construção dos espaços que irão servir como jardins filtrantes.

Em paralelo, na Avenida Assis Chateaubriand, as obras de implantação dos tubos, que irão receber os efluentes que antes desaguavam no Riacho e agora serão conduzidos para o emissário submarino para, então, receber o tratamento adequado, iniciaram em dezembro.

Cerca de 2.400 metros de tubulação, de 730 milímetros, serão colocados em uma profundidade média de 1,70m, que vai da foz do Salgadinho até o emissário.

Conforme estudos do Maceió Tem Pressa, foi identificado que o Riacho do Pau D’arco é o que mais possui matéria orgânica, ou seja, esgoto in natura. “Dentre os riachos que iremos trabalhar esse é o de pior situação”, explicou Marcelo Maia.

Além de sua função despoluidora, os jardins filtrantes têm uma funcionalidade paisagística. O coordenador do programa conta que as plantas e pedras que estarão dentro dos tanques consumirão boa parte da matéria orgânica de maneira ecologicamente correta.

“Antes do esgoto que vem pelo Riacho do Pau D’arco chegar até o riacho do Reginaldo, os efluentes irão passar pelos jardins filtrantes, recebendo esse tratamento primário. Ao fim dos jardins filtrantes, ele chegará ao Reginaldo, com o primeiro tratamento já feito, com uma taxa de esgoto muito menor, sendo posteriormente bombeado para o emissário submarino”, ressaltou Marcelo Maia.

Resumidamente, o Riacho Salgadinho vai parar de receber esgotos clandestinos, o que deve reduzir e muito seu nível de poluição. E para realizar este sonho o Renasce Salgadinho conta diretamente com 20 intervenções diretas.

São trabalhos de requalificação ambiental, análise, revisão e consolidação de estudos topográficos, geológicos, geotécnicos e hidrológicos. Além da modernização de vias e ruas, melhorias no sistema de drenagem, de contenção de erosão, de recomposição do Salgadinho, construção de passarelas, sinalização e mudanças no projeto paisagístico. O programa conta ainda com ações educativas, com palestras, oficinas de reciclagem e outras atividades ainda fazem parte do arcabouço técnico-operacional.

“Estamos atrelados ao turismo, à saúde pública e em desenvolver a sociedade e a economia local. É uma obra que irá marcar de vez a história de Maceió, pois o não tratamento dos efluentes implica na degradação do ecossistema natural, criando ambientes propícios à propagação de doenças, principalmente quando atrelado à falta de saneamento básico”, concluiu Marcelo Maia.

Pessoas como o gari Rosivaldo Alves, 54, que atua na profissão há mais de 14 anos e é morador da Vila Brejal dá o outro lado da moeda. Pelo seu ponto de vista o projeto é uma iniciativa que chama a atenção, mas destacou que é preciso contar com a colaboração da população, principalmente no descarte irregular de lixo.

“É um projeto muito bom, que vai contribuir com o meio ambiente e com o nosso mar da Praia da Avenida, que por tantos anos sofre com o lixo e o esgoto, mas também não adianta somente fazer obra, é preciso que as pessoas se conscientizem a não jogar lixo na rua”, frisou o gari.

Fonte: TV Gazeta

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