Em entrevista à Gazeta de Alagoas, o pesquisador Esdras Andrade analisa a evolução da Covid-19 nos municípios e considera que a pandemia está sob controle em Alagoas. Há quase um ano e meio (no dia 8 de março) foi confirmado o primeiro de caso de infecção pelo novo coronavírus e desde então o estado viveu duas ondas de crescimento da doença.

A primeira onda teve início a partir do primeiro caso registrado em março de 2020 e se estendeu até agosto, com o auge no mês de junho e durou cerca de seis meses. A segunda, perdurou por um pouco mais de tempo, aproximadamente 7 meses, e seguiu de dezembro de 2020 até junho de 2021, sendo este último mês o ápice da segunda onda.

“Ao observar o indicador de níveis de criticidade dos municípios, que considera a frequência com que estes se apresentam em status de crescimento dos casos da doença nas últimas oito semanas, pode-se inferir que a pandemia está sob controle. Neste intervalo de tempo, observou-se que 97 dos 102 dos municípios estão situados entre os níveis de baixíssima, muito baixa, baixa e moderadamente baixa criticidade, o que corresponde a 95% destas unidades territoriais registraram crescimento em até três das últimas oito semanas”.

A avaliação é de Esdras Andrade, do grupo de trabalho sobre a Covid-19 do Instituto de Geografia, Desenvolvimento e Meio Ambiente (Igdema) da Ufal. Esdras reforça que há pelo menos sete semanas não se observam mais os níveis com maiores intensidades de criticidade.

“Em uma análise sob a ótica das mesorregiões do Estado, é possível constatar que o Agreste e o Sertão alagoanos apresentam uma suave desproporção na quantidade de municípios que se enquadram nas classes de menores criticidades, com cerca de 90%; enquanto que a mesorregião do Leste o índice é de 97%”, acrescenta. “Cinco meses corresponderam a períodos onde houve queda acentuada nos números e uma certa estabilidade momentânea, principalmente entre outubro e novembro de 2020. Desde o início da pandemia no Estado, foram contabilizados até o último dia do mês de agosto 235.774 casos da doença e 6.072 óbitos em decorrência dela. Se os números registrados fossem constantes, resultaria em uma média de 437 casos e 11 mortes por dia”, explica Esdras Andrade.

Para entender a dinâmica espacial desses números, segundo o pesquisador, é preciso voltar no tempo e observar como o vírus se expandiu por todo o território alagoano. Esse processo começou no dia 8 de março de 2020 na capital, em Maceió, e levou 70 dias para alcançar 101 dos 102 municípios. Esdras reforça que, para abranger todos os 102 municípios, foram necessários 97 dias e que a dispersão da doença foi dividida em três momentos bem definidos, cobrindo os limites das três mesorregiões administrativas do Estado (Leste, Agreste e Sertão Alagoanos), segundo divisão do IBGE.

“A isso, estavam associadas três importantes condições de disseminação da doença: as atividades econômicas, a demografia e a conectividade intermunicipal, nesta ordem de relevância. A partir disso, o primeiro estágio de disseminação levou aproximadamente 45 dias e abrangeu a quase totalidade dos municípios integrantes da macrorregião do leste alagoano (Zona da Mata), sendo esta a região mais desenvolvida economicamente e que concentra cerca de ⅔ da população do Estado, na qual está situada a capital, Maceió”, recorda Esdras.

De acordo com o pesquisador, o segundo momento durou, em média, mais 15 dias, e se estendeu predominantemente pela região do Agreste. Em mais 10 dias, os municípios do Sertão alagoano praticamente encerraram o processo de interiorização, embora tivessem casos registrados em alguns dos seus municípios no período anterior.

Fonte: TV Gazeta

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