O percentual de consumidores endividados em Maceió avançou três pontos, na passagem de julho para agosto, e atingiu 68,8% – o maior dos últimos onze meses -, segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC) divulgada nesta quinta-feira (9). Em números absolutos, a capital alagoana registrou 208 mil endividados no mês passado, dez mil a mais do que o registrado em julho.

Segundo a pesquisa, o número de famílias com dívidas em atraso registrou alta de 4,94% em agosto, na comparação com o mês anterior. Nos últimos quatro meses, mais 12 mil consumidores ajudaram a engrossar a lista de inadimplentes, que conta atualmente com 58 mil pessoas.

O cartão de crédito permanece como o principal fator gerador de dívidas, tendo sido utilizado por 97,8% das famílias na aquisição de bens e serviços. Com 22,5% de uso, o carnê se manteve na segunda posição na modalidade de endividamento, com percentual de 22,5%, mas outros recursos também foram meios de endividamento, a exemplo do cheque especial (0,4%), do crédito consignado (4,9%), empréstimo pessoal (4,6%), prestação de carro (3,8%) e de casa (7,1%).

O assessor econômico da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Alagoas (Fecomércio AL), Victor Hortencio, ressalta que todos os indicadores de endividamento (total de endividados, endividados com contas em atraso e os que não têm condições de pagar) estão crescendo de forma sustentada nos últimos quatro meses, aproximando-se cada vez mais dos patamares do mesmo período do ano passado, quando o nível de endividamento foi considerado crítico.

Segundo ele, o único indicador que, mesmo crescendo, continua em patamares significativamente inferiores aos do ano passado é o das pessoas que “não terão condições de pagar”, que ficou 54,8% abaixo do volume visto em agosto de 2020, quando 50 mil pessoas declararam não terem condições e nem expectativa de honrarem seus compromissos, enquanto em 2021, somente 22.700 pessoas se encontram nessa fase mais delicada da inadimplência. “Sem dúvida, uma das possíveis causas do aumento contínuo do endividamento das famílias maceioenses é o cenário econômico de crise visto na economia nacional”, ressalta o economista.

Ele lembra que o somatório de dólar em alta, a inflação bem acima da meta, o desemprego batendo recordes e a queda do PIB no segundo trimestre  criaram um panorama muito complicado de perda de renda e de poder de compra, queda do investimento e diminuição das expectativas.

“Este cenário torna o endividamento inevitável para o consumo de bens essenciais, como os custos residenciais de água e energia elétrica, afetando, principalmente, a população de renda mais baixa”, avalia.

Fonte: TV Gazeta

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