É necessária muita paciência para o maceioense começar o dia. Motoristas de carros, ônibus, passageiros, motoqueiros disputam espaço para conseguir chegar ao destino final e precisam lidar com vias congestionadas e trânsito lento. E este problema de mobilidade urbana na capital alagoana é antigo, uma reclamação da população que se alastra por muitos anos, sem uma solução específica dos órgãos responsáveis.

Mobilidade Urbana é a condição que permite o deslocamento das pessoas em uma cidade com o objetivo de desenvolver relações sociais e econômicas. Nas grandes cidades do país, a limitação do fluxo, acidentes, pequena oferta de alternativas de vias para atender o excesso de motoristas são desafios enfrentados no planejamento das ações.

Atualmente, Maceió parece viver um canteiro de obras por todos os lados. E com as ações realizadas, as vias públicas se tornam quase intransitáveis durante os horários de pico. Avenidas importantes registram congestionamentos intensos e a implantação de um plano de mobilidade torna-se cada vez mais urgente.

A Superintendência Municipal de Transporte e Trânsito (SMTT) é o órgão responsável pelo planejamento, projetos, regulamentação e operacionalização do trânsito. É através de medidas para orientar o tráfego que o órgão define suas ações, visando a gestão e fiscalização do trânsito de veículos em âmbito municipal.

De acordo com o órgão, em Maceió, os principais pontos de congestionamentos estão situados nas vias arteriais, a exemplo das avenidas Durval de Góes Monteiro, Fernandes Lima e Menino Marcelo, sobretudo nos seus cruzamentos. E para aliviar esses pontos onde há maior concentração dos veículos durante o dia, algumas ações são pontuadas pelo órgão, conforme explica o Diretor de Operações de Mobilidade da SMTT, coronel Cícero Silva.

“A SMTT tem enviado guarnições de agentes para os locais de maiores incidências de congestionamento, realizando intervenções visando uma melhor fluidez do trânsito no local, sobretudo nos principais corredores de transportes”, colocou.

Recentemente, a prefeitura de Maceió deu início às obras do Renasce Salgadinho, programa de transformação ambiental que visa desassorear e urbanizar, dando nova identidade para o riacho. A obra está orçada em mais de R$ 76 milhões e para seu andamento, várias intervenções serão feitas entre requalificação ambiental, melhorias no sistema de drenagem, recomposição do Salgadinho, e outros, impactando no trânsito próximo da região, como bloqueio de vias.

“Essas obras são pontuais e de grande relevância para Maceió. A maior parte dos serviços são realizados no período da noite, justamente para evitar os transtornos, pois nesse horário a quantidade de veículos que circulam nas vias é menor”, acrescentou o diretor.

As mudanças no tráfego no bairro de Cruz das Almas, por exemplo, foram alvos de duras críticas pelos motoristas da capital. A Avenida Brigadeiro Eduardo Gomes de Brito, em certo trecho, passou a ter apenas o sentido Jacarecica para o tráfego. Já a Avenida Comendador Gustavo Paiva, as quatro faixas que existem na via ficaram no sentido Centro. Uma única faixa ficou no sentido oposto, prioritariamente para a circulação dos ônibus, mas poderá ser acessada por outros veículos que precisem ir a estabelecimentos comerciais, escolas e demais empreendimentos ao longo da via.

No entanto, a insatisfação dos motoristas persiste. Por conta disso, a SMTT não descarta uma reformulação do projeto. “O trânsito é dinâmico, em razão disto, estamos sempre procurando melhorar a sua fluidez em Maceió. Após a implantação, as modificações seguem sendo monitoradas para quaisquer tipos de ajustes que se façam necessários”.

Para encontrar soluções no trânsito, o órgão explica que vem atuando com intervenções nas áreas de engenharias, fiscalização e educação de trânsito. “Estes são os três pilares do trânsito e precisam atuar em conjunto para tornar as vias cada vez mais fluidas e seguras para pedestres, ciclistas e condutores de veículos”, disse.

Segundos dado do Departamento Estadual de Trânsito de Alagoas (Detran/AL), atualmente Maceió possui uma frota de veículos que ultrapassa os 380 mil. O urbanista Daniel Moura, historicamente, a solução que buscada pelas cidades brasileiras para acomodar a crescente frota de automóveis tem sido construir mais vias. “Contudo, quanto mais vias são construídas, mais as pessoas sentir-se-ão estimuladas a usar o carro e, em poucos anos, as vias estarão congestionadas novamente”, explica.

Para o urbanista, Maceió precisa seguir ações de outras cidades, como diversificar o uso do espaço viário. “Em vez de oferecer mais vias para automóveis, deve oferecer faixas exclusivas para o transporte coletivo não ficar preso nos congestionamentos dos carros, ciclovias para as pessoas se sentirem seguras em deslocarem-se de bicicleta (o que reduziria o número de carros circulando), bem como calçadas acessíveis para a maioria da população que se desloca a pé”, acrescentou.

Para melhorar a mobilidade urbana, além das soluções imediatas, como a diversificação do uso do espaço viário, é necessária uma organização mais racional da maneira como se ocupa o território. Ele lembra que o modelo de cidade que vem sendo implantado em Maceió é o da cidade espraiada, em contraposição ao modelo da cidade compacta, que já vem sendo buscado há décadas por cidades, mundo afora, que oferecem melhor qualidade de mobilidade urbana a seus cidadãos.

“À medida que determinadas regiões da cidade vão ficando congestionadas pelo crescimento da frota de automóveis, o mercado imobiliário apresenta novas regiões para serem ocupadas, com obras rodoviárias executadas com recursos públicos, onde as pessoas chegarão com seus automóveis. Isso pode ser observado com a duplicação das rodovias AL-101 Sul e AL-101 Norte. Hoje, as pessoas se sentem estimuladas a irem morar nos edifícios e loteamentos construídos às margens dessas rodovias. Mas, com o passar dos anos, a densidade populacional dessas regiões aumentará e as rodovias não serão mais capazes de dar vazão aos automóveis dos moradores”, afirma Daniel Moura.

A densidade populacional média de Maceió é de cerca de 30 habitantes por hectare, o que é considerada relativamente baixa. “Precisamos fomentar, na cidade que temos hoje, sem expandi-la horizontalmente, meios de transporte mais racionais que transportam mais pessoas por metro quadrado, como o ônibus e a bicicleta. Essa cidade espraiada, que cresce horizontalmente, de maneira indefinida, é insustentável”, finalizou.

Fonte: tv gazeta

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