Michael Phelps dos EUA se preparara para a final masculina dos 200m Borboleta - Estário Maria Lenk (Estádio Aquático Olímpico) - Rio de Janeiro, Brasil - 09/08/2016 - Foto: Reuters/DavidGray

Quem acompanhou as competições da Rio 2016 deve ter percebido que alguns atletas, principalmente os nadadores, apareceram com o corpo com marcas circulares roxas nas costas e braços.
Na primeira aparição do nadador Michael Phelps o mundo todo se perguntou o que eram aquelas marcas em seus ombros e assim começaram os rumores sobre elas serem o segredo de sua excelência dentro das piscinas. Em uma transmissão ao vivo em seu Facebook, o próprio Phelps explicou sobre as marcas e disse também ser um adepto dos métodos da Medicina Tradicional Chinesa.
Mas afinal, o que são as tais marcas polêmicas?
As marcas são vestígios da aplicação de Ventosaterapia, um dos muitos métodos terapêuticos milenares utilizados pela Medicina Tradicional Chinesa (MTC). Foi criado com base no princípio oriental da ‘água parada apodrece’. Ou seja, as toxinas produzidas pela sujeira da água, alimentos ou emoções desequilibradas acumulam dentro do organismo e em se tratando de músculos e articulações, a MTC considera a retenção ou estagnação de sangue como um dos elementos causadores de doenças.
“O método consiste em trazer as células doentes do sangue do interior do corpo para a superfícies através do vácuo, recuperando assim as células doentes, isto é “Tratamento Negativo”.
A ventosa tem a mesma fisiologia da troca gasosa do pulmão e dos rins, desse modo, elimina os gases e toxinas estagnados no corpo pela pressão negativa produzida pelo vácuo, torna o sangue bioquimicamente equilibrado, com o pH das células homogeneamente estável.
Além disso, o processo promove microlesões e rompimento de células que acabam liberando para o tecido antes pouco irrigado pelo sangue (estagnado) os agentes anti-inflamatórios endógenos.”

A técnica utiliza a sucção através de copos quentes que aumentam a concentração de sangue em certas áreas do corpo para sugarem as impurezas corporais à vacuo. A utilização da técnica remota ao Egito Antigo, mas é mais reconhecida dentro da MTC por utilizar como base a acupuntura e se tornou uma técnica reconhecida no mundo ocidental moderno, principalmente no meio esportivo, como uma ferramenta importante de recuperação. Para criar a sucção o terapeuta vira os copos circulares em cima da pele para então aquecê-los ou aplicar uma bomba de ar em cima deles (são duas formas de aplicação que são utilizadas atualmente). O efeito vácuo quebra os delicados vasos sanguíneos que estão embaixo do copo, permitindo que o sangue saia dos vasos e acumulem sob a superfície da pele, por isso que as marcas circulares aparecem.

Michael Phelps postou uma foto de uma de suas sessões em seu Instagram.
Michael Phelps postou uma foto de uma de suas sessões em seu Instagram.

A função do método é esquentar, aumentar o fluxo sanguíneo, promover a livre circulação da energia do corpo, diminuir a tensão muscular e aliviar a dor, aumentando assim a velocidade de recuperação muscular.
Fisiologicamente falando, para reconstruir o músculo desgastado durante atividades físicas vigorosas, o corpo precisa de nutrientes como glicogênico rico em energia e aminoácidos formadores de músculos que viajam pelo corpo através da corrente sanguínea. A dor é causada pelo acúmulo de ácido láctico nos músculos, que são naturalmente transportados pelo sangue circulante. Trazendo mais sangue para certas áreas e rapidamente liberando o volume através da ventosa deve, na teoria, acelerar este processo de reconstrução. Ou seja, acelerar o processo de recuperação muscular permitindo que o atleta volte mais rápido e com menos desgaste para a competição.
Benefícios da ventosaterapia:
– Relaxamento muscular, físico e mental;
– Combater o estresse;
– Aliviar o cansaço;
– Eliminar nódulos de tensão (trigger points);
– Aliviar dores musculares, nevralgias, artrites, lombalgia;
-Facilitar movimentos articulares;
– Evitar fibrosidades e adesões;
– Manter a flexibilidade dos músculos.
– Aliviar problemas de reumatismo;
– Melhorar a circulação sanguínea;
– Limpar o organismo;
– Reequilibrar o pH sanguíneo;
– Favorecer a respiração da pele;
– Facilitar as trocas gasosas nos tecidos periféricos;
– Acabar com formigamentos e dormências nos membros superiores e inferiores;
– Mobilizar as secreções dos pulmões;
– Acelerar a recuperação muscular;
Contraindicações: câncer, febre alta, convulsões, cólicas menstruais, alergias cutâneas ou problemas dermatológicos (micoses, psoríase), processos inflamatórios, úlceras, feridas recentes ou abertas, gestantes (região lombar e abdominal).
O método é um tipo de terapia não invasiva, pode ser aplicado em pessoas de todas as idades e pode ser utilizado em associação com outros métodos terapêuticos reforçando a sua própria efetividade e a dos outros. Normalmente é associado à acupuntura, moxabustão, exercícios físicos e pilates.
A sessão dura cerca de 30 minutos e é recomendado uma peridiocidade regular, sem intervalos de tempo muito distantes entre cada sessão, para se evitar o declínio do tratamento.
E embora alguns cientistas declarem que o método seja antiquado, a utilização da ventosaterapia e outras técnicas da Medicina Tradicional Chinesa e o número de adeptos das técnicas milenares têm aumentado nos últimos tempos.
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Por Dra. Mariah Morgado
Fisioterapeuta ( Crefito2- 209698F)

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