Teatro da Amazônia faz apresentações em Maceió e Quebrangulo (Crédito: Divulgação )
Teatro da Amazônia faz apresentações em Maceió e Quebrangulo (Crédito: Divulgação )
Teatro da Amazônia faz apresentações em Maceió e Quebrangulo (Crédito: Divulgação )

Levar a obra do escritor paraense Dalcídio Jurandir encenada às terras de outros cinco romancistas regionalistas brasileiros: essa é a ideia da turnê nacional Solo de Marajó nos solos de outros brasis, do grupo paraense Usina Contemporânea de Teatro, contemplado com o Prêmio Myriam Muniz da Fundação Nacional das Artes, na categoria Circulação.

No Estado de Alagoas – o segundo a receber o projeto – serão três apresentações, sempre com entrada gratuita. No dia 27 de agosto acontece apresentação única na cidade de Quebrangulo, às 20h, no Cine-Teatro Municipal Victória (Pça. Cícero de Goes Monteiro s/n).Nos dias 28 e 29 haverá mini temporada em Maceió, às 20h, no Teatro de Arena Sérgio Cardoso (Pça. Marechal Deodoro s/n).

Depois de já ter visitado a Bahia de Jorge Amado, o espetáculo segue do solo alagoano de Graciliano Ramos para a Paraíba de José Lins do Rego, o Ceará de Rachel de Queiroz e o Rio Grande do Sul de Érico Veríssimo. São sempre duas apresentações nas capitais e uma na cidade natal de cada escritor. 

Dentro e fora do ParáSolo de Marajó estreou em 2009, em Belém, integrando a programação especial da Feira Panamazônica do Livro, o maior evento literário da região Norte.

Em 2010, o espetáculo foi apresentado em São Paulo durante a I Mostra da Cena Paraense Contemporânea, e voltou à capital paulista no ano passado, integrando a programação da Virada Cultural.

Em fevereiro deste ano, Solo de Marajó integrou a programação do Midrash Centro Cultural, no Rio de Janeiro. A receptividade de público e crítica foi tão boa, que resultou em outras cinco apresentações na capital fluminense e mais uma no município de Niterói, num período de apenas três meses.

O que tem surpreendido o público em todos os solos por onde passa é a ousadia da encenação. Sozinho sobre o palco nu, o ator Claudio Barros, que em 2016 celebra 40 anos de intensa atuação na cena paraense, conta oito histórias tiradas do romance Marajó, o segundo de Dalcídio.

Utilizando o corpo e a voz para construir as narrativas, a atuação estimula a imaginação do espectador, convidado-o a povoar o espaço vazio com a memória de pessoas e lugares.

Os temas das narrativas vão desde questões de cunho social, como racismo, exploração do trabalho, tráfico de crianças e prostituição, até o universo íntimo das relações amorosas, recheadas de paixão, dor, solidão, ciúme e vingança.

Esta visão multifacetada do autor levou os criadores a uma dramatugia que não se preocupa em dar conta da fábula romanesca, mas acaba por construir um mosaico capaz de representar as relações humanas na Amazônia.

A montagem de Solo de Marajó dá continuidade à pesquisa do grupo Usina sobre o ator como narrador. As fontes para esta criação foram a observação do comportamento cotidiano dos habitantes de Ponta de Pedras, onde se passa o romance, e histórias de vida do próprio atuante.

O autor – Nascido na vila de Ponta de Pedras, na Ilha de Marajó, em 10 de janeiro de 1909, Dalcídio Jurandir Ramos Pereira foi jornalista e escritor. Passou a infância no município vizinho de Cachoeira do Arari e logo depois mudou-se para Belém. Foi para o Rio de Janeiro pela primeira vez em 1928, com apenas 19 anos, onde chegou a lavar pratos para sobreviver. Ainda voltou ao Pará algumas vezes mas viveu no Rio até morrer, no dia 16 de junho de 1979.

Segundo o crítico Benedito Nunes, para quem a obra do escritor marajoara funda a paisagem urbana na literatura amazônica, os dez romances da saga Extremo Norte (além destes, ele ainda escreveu Linha do Parque, de temática proletária e publicado no RS e na Rússia)integram um único ciclo romanesco, quer pelos personagens e as relações que os entrelaçam, quer pela linguagem que os constitui, num percurso que vai desde Cachoeira do Arari até Belém, criando uma radiografia tanto do ambiente rural na Amazônia quanto da periferia da capital paraense no Século XX.

 

Ficha técnica

Atuação e figurino: CLAUDIO BARROS. Direção e iluminação: ABERTO SILVA NETO. Dramaturgia: ALBERTO SILVA NETO, CARLOS CORREIA SANTOS E CLAUDIO BARROS. Projeto gráfico: MARCELA CONDURU. Fotos: JM CONDURU. Produção: SANDRA CONDURU.